Vættir

Um vættr (plural vættir), conhecido pelos anglo-saxões como wiht (plural wihta), e expresso em inglês moderno como wight, é um nome genérico para todos os seres que não são nem animais e nem humanos. A palavra vættr exprime uma ideia um pouco complicada de se colocar em palavras no português: seu significado dança por algo entre “criatura”, “espírito” ou “ser”, mas vættir não são expressos bem usando-se apenas uma dessas palavras.

Eles são seres pouco, raramente ou nunca vistos pela maioria das pessoas, mas que habitam árvores, pedras, determinadas paisagens, montes, o próprio lar dos humanos, e podem ser de diversos subtipos como dvergarálfar, jǫtnar e até mesmo divindades. Não exatamente como outros povos animistas, entre os antigos heathens germânicos os vættir parecem ter sido vistos de forma independente dos locais onde habitam, como se este fosse a sua casa, e não exatamente o seu corpo. A categoria mais abrangente de vættir são os landvættir ou vættir da terra, que agrupa todos os vættir que não são divindades ou húsvættir (vættir da casa).

Dentro do Heathenry tribal, os landvættir são cultuados de maneira praticamente autônoma, sendo vistos como seres que muito antes de nós habitaram esta terra, podendo mesmo ser humanos do passado, que mantiveram uma ligação com o local onde estão. Não são seres essencialmente bons ou maus, na verdade, um vættr assim como uma divindade pode agir simplesmente por seus desejos e instintos e necessidades próprias, o que pode significar em alguns momentos prejuízos para o innangarðr humano, uma vez que eles são vistos essencialmente como seres de fora que podem se aproximar (para causar benefício ou prejuízo), mas são essencialmente seres do útangarðr antes de serem “apaziguados” de entrarem no ciclo de presentes com a comunidade humana.

Os húsvættir têm no tomte, hob, goblin e kobold seus mais notórios exemplares através do mundo germânico. Eles permaneceram lembrados de alguma forma pelo folclore e tradições populares até os dias de hoje, e podiam ser diligentes e empenhados na proteção do lar caso fossem agraciados com suas ofertas favoritas como pão com manteiga, leite, ou mesmo algo alcóolico, por vezes. Eles podem servir como protetores contra humanos, animais e landvættir  do útangarðr, e muitos heathens tribais modernos os cultuam de uma forma mais proxima, estabelecendo uma relação de amizade através de presentes em um altar ou local específico com uma estátua ou casa para o húsvættr.

Um vættr que habita uma árvore antiga e imponente, pedra ou paisagem de aspecto singular, fonte ou nascente, rio, provavelmente armazena muita mæġen dentro de si, e, através das ofertas corretas, pode estabelecer uma relação de reciprocidade com o humano ou humanos que se engajem num ciclo de presentes com ele. Esse é o aspecto mais nítido do animismo dos povos germânicos, bem como da necessidade de contato com a terra e o culto à natureza. Trocar mæġen com os vættir da terra ou da casa causa grandes benefícios aos heathens e ao innangarðr como um todo, de acordo com a visão do Heathenry tribal.