Tempo Cíclico

Para os antigos heathens, o tempo era visto como uma potência que regula todas as coisas. No lugar buscarem controle sobre o tempo, os heathens entendem que a ordem das estações é fixa, por mais que os eventos particulares sejam diferentes.

Enquanto em nossa sociedade atual as relações são desenvolvidas como uma caçada individual, onde o humano lança-se na selva em busca de sua presa, para povos tribais o tempo é melhor entendido como uma plantação, em que há tempo de plantar, o tempo de limpar o solo de ervas daninhas para que os frutos possam crescer fortes e saudáveis, mas também há o tempo de colher.

Em vez de enxergarem-se como sujeitos do mundo, senhores do tempo, os antigos heathens entendiam que eram apenas parte dentro de uma teia de interrelações. Essas interrelações abarcavam tanto a comunidade humana quanto a natureza, deuses, ancestrais e demais vættir. Não pensavam unicamente na aquisição de objetivos futuros, mas nas relações de longo prazo, na posteridade, no legado que deixariam para os seus descendentes, e naquilo que os trouxe até ali.

O passado era visto não como algo a ser evitado ou esquecido. O passado, o tempo mítico era o tempo sagrado, onde as histórias de deuses e ancestrais estavam armazenadas com patrimônio das histórias populares. Era visto como fonte de lições e aprendizado, uma vez que, se o tempo é cíclico, eventos comumente se repetem. Os atores individuais poderiam mudar, mas os papéis e o cenário era o mesmo.

O mundo em si mesmo não era visto como desempenhando uma história linear, partindo de um começo e chegando a um fim, meramente. Nas narrativas mitológicas restantes fica implícito que muitas criaturas de alguma forma já estavam ali, como que voltando à vida a partir do gelo, enquanto outras parecem ter visto tudo de longe. Mesmo que os principais deuses cultuados surjam num tempo mitológico mais ou menos preservado, muita coisa deixa a entender que haviam mais seres, e que após as narrativas de fim dos tempos, uma nova era se iniciará.

O ragnarǫkr que muitos chamam de fim do mundo, na verdade é apenas o fim de uma era e o começo de outra. O mundo ou universo como conhecemos já morreu inúmeras vezes, renascendo de sua própria semente e assim continuará.

Um heathen mais velho sabe que muitas coisas se vencem com a paciência e não com a força. A natureza continua, a cada nascer da Sól, a cada viagem de Máni, refazendo seu ciclo eterno. Eras começam e se findam, e o mesmo vale para todos os eventos. Saber como e quando isso acontece, saber desenvolver os ritos corretos para acompanhar os ciclos naturais, é o que diferencia a visão de mundo linear e individualista do ocidente e a cíclica e embasada na ancestralidade e posteridade, dos heathens tribais.