Outlawry

Outlawry é uma palavra da língua inglesa para o costume de colocar alguém na posição de fora-da-lei. Bastante diferente das noções românticas que temos de indivíduos vivendo sobre seu próprio desígnio em algum cenário de velho oeste, o fora da lei pagão estava submetido a uma grave pena: a exclusão social.

Outlawry significa não apenas ser colocado fora da lei, da proteção seja da ǣ, seja da friðr do innangarðr. Outlawry é também “banditismo”, “banimento”, “expulsão (da sociedade ou grupo tribal)”, ilegalidade e ausência de lei. Outlaws ou foras-da-lei eram comumente vistos como gæfuleysi, pessoas sem sorte no sentido tribal.

O banimento da tribo era uma espécie de castigo severo pois permitia que a parte ofendida pelo outlaw fosse capaz de se vingar sem nenhum tipo de consequência penal. Se o innangarðr é igual à lei, ao þēaw e ao bem, ser privado de tudo isso era ser posto, na melhor das hipóteses, a uma morte impune, e, na pior das hipóteses, a uma forma de ostracismo tão severa — lembrem do clima do norte da Europa e da dificuldade para sobreviver sozinho fora do conforto do grupo tribal — que o outlaw era obrigado a morrer por si mesmo, desprezado ao ponto de sequer valer a pena ser morto pela tribo.

Raramente um outlaw decidia realmente abandonar o grupo tribal, apesar de perder seus direitos. Eram assim comumente mortos, o que lhes parecia menos penoso do que morrer lentamente fora da tribo. Alguns casos nas sagas, todavia, narram pessoas vivendo como outlaws por décadas, o que eram certamente exceções absurdas às regras.

Havia essencialmente dois tipos de outlawry: a provisória, que durava três anos, e a vitalícia. Eram distribuídas de acordo com o peso dos crimes cometidos. Era impedido a alguém da tribo oferecer ajuda ao outlaw, o que nem sempre era possível garantir, mesmo com a pena pesada de outlawry para aquele que fosse descoberto ajudando quem foi banido.

Nos dias atuais, o outlawry serve como uma medida para a prática. Muitas pessoas temem ser obrigados a cultuar parentes que foram ruins, egoístas, machucaram a família. Tais pessoas certamente não seriam cultuadas, o culto ancestral é feito objetivando proteger o espírito da família, o que ele possui de positivo, não de negativo. Um outlaw não era cultuado, mas expulso.

Por outro lado, o outlawry serve também para medirmos nossos atos. Ser posto fora da lei tribal significa desrespeitar tanto a ǣ quanto o þēaw e era, portanto, uma atitude inaceitável, por destruir a friðr. E, sem projetar-se em direção à friðr, não há para que permanecer no innangarðr de uma tribo heathen tribal.