Divindades

Em uma visão tribalista de heathenismo, os deuses são vistos como poderosos e superiores vættir (sem tradução precisa, algo entre “espíritos” e “criaturas”), por possuírem muita mæġen, mas ainda assim são vistos como vættir.

Eles têm seus próprios interesses e anseios. Suas próprias necessidades e vontades. O Heathenry tribal não é apenas politeísta, mais que isso, ele é animista. O animismo dos germânicos é a percepção de que tudo que rodeia o homem possui um espírito o habitando, como pedras, plantas, além dos animais, mas até mesmo nascentes, fontes, rios, montanhas, vulcões, eventos naturais, determinadas paisagens e mesmo cidades inteiras. Deuses são as poderosas consciências que habitam o trovão, fúria, fertilidade, etc.

A relação com eles é estabelecida através do conceito de do ut des (te dou para que também me dês), dos presentes dados por meio de ofertas e sacrifícios. Dentro da sociedade humana, todavia, os deuses faziam parte da parte mais interna e sagrada do innangarðr. Eles são a materialização da lei e da ordem, em oposição ao útangarðr. Através de ofertas e sacrifícios nas datas corretas, ao se dividir com o innangarðr divino aquilo que o humano conseguiu (parte do seu trabalho) a tribo então se inseria na ordem divina e aumentava a sua mæġen coletiva.

Todavia, é bom salientar que os deuses não possuem uma relação paternal ou maternal com os humanos “individuais” na maioria dos casos. E que eles estavam muito mais envolvidos com causas pertinentes a toda a tribo ou povo que a um indivíduo em particular. Existe ainda os cofgodas, os deuses que eram cultuados dentro do âmbito do lar, próprios de uma família. Um cofgod era uma espécie de divindade à qual toda a família se apegava e cultuava coletivamente, tornando-se um protetor da família (ætt).

Para os problemas mais cotidianos, é interessante pensar em manter o equilíbrio com os vættir menores, tanto da terra (land) quanto da casa (hús). Desenvolver a relação com os ancestrais, os quais são como que “deuses familiares” também ajuda muito na vida cotidiana de um heathen.

É importante se perder o vício das religiões abraâmicas de se recorrer a uma divindade superior (ou mais) para tudo. A wyrd é inexorável, e submete mesmo a vontade de divindades. É preciso saber encarar a wyrd com coragem e determinação. Mas também estar ciente dos outros recursos espirituais presentes no heathenismo, de forma a desprender atitudes da maneira mais efetiva possível. Alguns poderiam chamar a isso de magia, apesar da simplicidade pragmática do ato.