Ciclo de Presentes

Presentear não é um ato entre os mais estranhos para nós. Temos datas específicas do ano em que os presentes ainda são entregues de maneira quase ritual, como dia das mães ou das crianças.

Quando falamos de Heathenry tribal, percebemos que os presentes, apesar de carregarem semelhanças com nossa sociedade contemporânea, acontecem de uma maneira ligeiramente mais profunda.

Os antigos cyningas tribais eram chamados de “doadores de anéis”, e através das histórias e mitos o ato de presentear aparece com frequência suficiente para não ser notado. O herói anglo-saxão Beowulf recebe de Hrothgar prodigiosos presentes pela sua bravura ao vencer o monstro Grendel, e é de se supor que qualquer serviço valoroso era retribuído com muitos presentes.

O ciclo de presentes é uma extensão da hospitalidade tribal dos heathens antigos. Ele era um ciclo pois o presente dado sempre exige retorno, reciprocidade. Isso nem de longe é algo negativo. Mesmo o mais filantropo dos humanos atuais exige ao menos gratidão em troca por algo dado, e a noção tribal de presentear implica investir-se materialmente em alguém, enviando mæġen ao presenteado. Este, aceitando o presente e o devolvendo, duplica a mæġen investida no ato para ambos.

Presentes eram dados também a ancestrais, vættir e divindades, que ao receberem-nos, engajavam-se no ciclo com o innangarðr dos humanos, retribuindo de diversas formas, inclusive com mæġen. Nessa forma, os presentes encaixam-se numa filosofia resumida na máxima latina do ut des, algo como “te dou, e assim me devolve algo em troca”.

Um ciclo de presentes funcionando de forma adequada beneficia todas as partes, levando a prosperidade a todos. Longe de ser uma obrigação forçada, o desprendimento do ciclo de presentes tribal propicia aos heathens a capacidade de poderem criar laços de amizade, reafirmar ou criar laços de parentesco, e ligar a teia da wyrd entre si, fortalecendo cada uma das pessoas envolvidas no círculo de reciprocidade.

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