Ancestrais

Eles são a carne da sua carne. O sangue do seu sangue. Eles te deram uma cultura, alimentaram os filhos gerações por gerações até chegar em você. Alguns deles estupraram e se mataram entre si. Eles têm muitas origens, têm muitas histórias. Eles são parte da sua hamr sua alma heathen.

Os antigos saxões continentais viam o Irminsul como um pilar sagrado no qual cultuavam os seus ancestrais, e lhes deixavam ricas ofertas. O Irminsul concentrava o poder acumulado das gerações dos saxões, e sua destruição ao mesmo tempo era uma afronta e um desastre para a tribo.

Os antigos heathens tinham um respeito enorme pelas gerações anteriores. Eles sabiam que eram apenas elos, fios na teia da wyrd de suas famílias. Os antigos heathens olhavam para seus ancestrais com reverência, e os presenteavam através das gerações. Ancestrais corretamente honrados protegiam sua família (cynn ou ætt) ou innangarðr. Mas ancestrais deixados de lado podiam simplesmente agir de forma prejudicial, ou até se tornarem draugar, literalmente “aqueles que caminham após mortos”.

Ancestrais femininas tinham claramente uma posição de destaque, em todo o mundo tribal dos antigos heathens germânicos. Principalmente no continente, nos territórios da antiga Gália e Germânia na Europa continental foram encontradas diversas imagens em pedra retratando em geral três mulheres, as Matronæ e seus nomes era raramente repetidos, o que atesta não se tratar de um culto amplo, mas regionalizado, muito provavelmente familiar. Mais ao norte, na Escandinávia, as dísir, ancestrais femininas foram retratadas nas sagas tecendo o ørlǫg de cada novo bebê da família, em especial quando este ganhava um nome. Na Islândia, as landdísasteinar são ainda hoje as pedras onde as landdísir ou dísir da terra vivem.

Mas as ancestrais femininas fazem também parte da hamr de cada heathen. As ættarfylgjur enquanto matriarcas acompanhavam em número variado cada ser humano, e parte do poder pessoal de cada pessoa era medido em quantas ættarfylgjur ele ou ela possuía junto a si.

konungr ou cyning era o rei ou chefe militar mais nobre. Era entendido como descendendo de deuses, e não raramente seu local de sepultamento se tornava depósito de ouro e das mais diversas oferendas, caso tivesse trazido a friðr e a prosperidade para os heathens que estavam sob sua liderança enquanto vivo. Heróis e pessoas importantes ou valorosamente exemplares também são de muita importância para heathens tribais antigos e contemporâneos.

Os homens nobres de uma família — ou de determinadas famílias — também podiam ser entendidos habitando montes, na forma de álfar ou elfos. Os montes aliás eram formados pelo sucessivo enterro de familiares um sobre o outro. Tornavam-se locais sagrados, essenciais para a prosperidade e fertilidade das tribos antigas. Os montes ou túmulos eram frequentemente entendidos como pontos de contato com os mortos, e locais para se chegar com respeito, à procura de sabedoria e conselhos.

Nos dias atuais, heathens tribais devotam muita importância em poder visitar os túmulos de seus parentes e ancestrais honrados, manter fotos, imagens, objetos que lhes pertenceram em seus altares, onde podem deixar as oferendas que mais os agradavam enquanto vivos. Muitos registram as genealogias e histórias possíveis de resgatar de suas famílias, e fazem o possível para manter essa memória.

Seus ancestrais importam. Mesmo que você seja adotado ou não conheça seus ancestrais. Os laços de criação podem te trazer para a família adotada, e assim poder se cultuar tais ancestrais, bem como cultuar os ancestrais de maneira mais impessoal, os tratando coletivamente. O culto aos ancestrais está no centro das práticas do Heathenry tribal, e é em nada menos importante que o culto dos deuses mais conhecidos.