Visão de mundo

Visão de mundo é uma expressão simples, porém extremamente delicada. Seus sinônimos mais comuns são cosmovisão, worldview Weltanschauung. Suas implicâncias são profundas: visão de mundo refere-se à própria forma do sujeito entender o mundo à sua volta e  existir (palavra que vem do latim “ex-sistere“, literalmente “colocar-se para fora”) na realidade fora do seu eu.

O que realmente difere o Heathenismo tribal da Ásatrú e outras vertentes do paganismo germânico é a preocupação com a visão de mundo.

Muitas pessoas procuram apenas novos deuses, outros querem auxiliares em horas complicadas, muitos querem se sentir não tão perdidos no caos da anomia de nossa sociedade…

Mas o Heathenismo tribal aqui se separa visivelmente das outras formas de paganismo. Isso não para dizer que as outras são piores e o Heathenismo tribal é melhor. Apenas somos diferentes nesse ponto e, veja, está tudo bem em sermos diferentes, de verdade.

A visão de mundo é a estrutura mais básica que uma pessoa desenvolve para pensar, a adquirindo das pessoas, da comunidade à sua volta.

É por isso que o Heathenismo tribal foca tanto em largar formas de pensamento, em observar e tentar entender os antigos profundamente.

Mas não devemos confundir a cultura intelectual dos antigos com sua cultura material. Vestimentas recriadas, festivais, alimentos de um determinado período antigo, etc, nada disso, por si só, é capaz de criar a visão de mundo. Ela é interna, e dela temos esparsos mas ainda assim suficientes registros para recriá-la, quando conseguimos ir a limpando da crosta cristã que a envolve e desfigura.

A visão de mundo é aquilo que envolve nossos costumes mais íntimos. Se algo de ruim acontece, é culpa do universo, de uma divindade, dos seus próprios atos, ou do destino? Esse é apenas um exemplo, uma vez que cada povo vai responder essa pergunta de forma diferente.

Outro caso seria o fato de que os antigos povos germânicos, como muitos povos tribais, enxergavam matéria e espírito entrelaçados, não separados, e que mesmo seres que consideramos inanimados ou não-vivos, como tendo suas personalidades. Para nós hoje pareceria loucura isso, não?

O Heathen tribal busca então compreender e recriar nos dias atuais a maneira de pensar e agir dos antigos heathens germânicos. Apesar de não ser uma tarefa impossível, não é uma tarefa que será executada com 100% de perfeição, todavia. Mas aproximar-se ao máximo possível e sempre que reconhecer erros, ou influências do pensamento cristão, é o ponto chave.

Alguns dos conceitos divergentes principais em relação à nossa visão contemporânea e ocidental no Brasil são wyrd e ørlǫg, þēaw, aceitação da realidade, culto aos ancestrais, culto aos heróis, culto aos vættir e landvættir, reciprocidade e troca de presentes (do ut des), honra (tribal), sorte (tribal), reputação, mæġen, innangarðr e útangarðr, personalidade dividual, sacralidade de juramentos e palavras, sacralidade dos laços de parentesco, tempo cíclico e friðr. Diferentes praticantes ou grupos tribais podem dar maior importância a um determinado conceito, e outros podem ainda adicionar mais conceitos, mas a maioria desses é amplamente reconhecido pela maioria dos heathens com uma perspectiva tribal ao redor do mundo.

É por isso que o aspecto social é tão importante. Uma visão de mundo só é útil quando é compartilhada. E visão de mundo, lei tribal, e a própria tribo são uma só.

 

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